Uma noite que não sai da minha cabeça...

Você havia me enviado uma mensagem com uma localização acompanhado da frase: estou aqui te esperando para jantar!

Vesti um vestido básico e surrado que tenho - era a própria gata borralheira, confesso. 
Coloquei o gps no carro; eu nem olhava para as vias, apenas para a tela do gps e ia seguindo as recomendações, pensando naquele convite tão inesperado.

Ao sinal do GPS, estacionei o carro. Quando sai, estava na calçada daquele hotel lindo que não fica muito longe de casa. Entrei e a recepcionista, que parecia ter saído de um conto de fadas de tão linda, me levou até a sua mesa.

Você estava conversando com uma moça (que me parecia muito simpática e cativante) e pediu que me sentasse com vocês. Depois, você pediu ao garçom que trouxesse a bebida e deixasse-a na mesa, que você mesmo nos serviria.

Quando aquela garrafa chegou, eu disse: “Se parece com o meu licor preferido, o Sheridans”. E você sorriu e disse: “O próprio”. Eu relutei: “Não, o Sheridans é preto e branco, este é vermelho e branco”. Você, com toda a malicia de quem já havia organizado aquela noite inteira respondeu: “Este é o Sheridans (Berries) na versão Ousadia x Inocência” e, com aquele sorriso no olhar continuou: “E vocês duas vão engolir cada gotinha dele”. Nos entreolhamos e começamos a entender o que nos esperava...

Algumas doses mais tarde...

A moça ruiva levantou-se e então pude vislumbrar toda a ousadia que exalava dela; aquele vestido vermelho, com um decote e uma fenda numa das pernas que quase se juntavam, balançavam livres em seu corpo esguio enquanto ela passava por trás da minha cadeira, mexendo em meus cabelos; seguindo até você, deu-lhe um beijo no canto da boca e em seguida desapareceu no meio dos outros clientes.

Eu ainda sem entender o que estava acontecendo e você dizendo que queria muito que os planos traçados pra quela noite dessem certo, mas que para que isso acontecesse, precisava saber se podia confiar em mim. Eu disse que tinha um pouco de medo, mas que eu faria tudo que você quisesse!

Nisso, você se levantou e me pegou pela mão; reforçou que eu precisava confiar em você... Entramos no elevador e você me colocou uma venda nos olhos.

Me guiando pelo caminho, entramos num quarto e enquanto ia tirando meu vestido e dando suaves beijos em minhas costas, senti algo tocar meu lábios. Era uma boca macia e molhada demais. Eu duvidei do que era, mas aos poucos entendi e decidi que não questionaria, apenas curtiria.

Você começou a me beijar. Agora tinha certeza de que era você, pois desta vez podia sentir sua barba enquanto teus lábios tocavam os meus!

Senti tuas mãos me apertando, mas podia sentir também umas mãos mais delicadas... e, de repente, simplesmente tudo parou. Foi quando resolvi levantar o tecido que cobria meus olhos e vi a mesma ruiva, linda, do salão sendo despida por você.

Nisso, comecei a escutar um ruído estranho e, ao mesmo tempo, conhecido. 

Sim, era o meu despertador. Abri os olhos e não conseguia acreditar que tudo que eu estava vivenciando não passava de um sonho. E, desde que saí da cama, não consigo para de relembrar e repassar cada detalhe, por isso que estou te ligando agora...

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